Integrar gerações: baby boomers, X e Y, e I a caminho

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“O conflito de gerações é algo natural e espontâneo em nossa sociedade. Na medida em que velhos paradigmas são quebrados e novas maneiras de se enxergar o mundo e a sociedade surgem, os mais novos se reeducam para viver conforme o que o ambiente que os cercam demanda.

Os mais jovens sempre se adaptam melhor à nova realidade e moldam as características de sua geração de acordo com as novidades que vêm para ficar. Já os mais velhos, por mais que busquem essa adaptação, ainda tem arraigados valores e comportamentos adquiridos em outros tempos.

O que ocorre hoje, no final da primeira década do terceiro milênio, é que há um grande conflito, dentro das organizações, entre as gerações Baby boomers (de 44 a 67 anos) e X (29 a 44 anos) e a geração Y (9 a 29 anos), que está chegando para ficar. Os profissionais da faixa dos 20 anos, da geração Y, cresceram junto das novidades tecnológicas que mudaram o mundo: o celular e a internet. São flexíveis, relacionais, precisam de motivação para produzir, acreditam mais na coerência do que na hierarquia, não possuem vínculos (vestir a camisa da empresa não é algo que lhes agrade) e dão muito valor à assertividade. São muito diferentes dos Baby boomers, que prezam a estabilidade profissional, a hierarquia, a aposentadoria e os modelos organizacionais mais rígidos.

E também da geração X, que são muito objetivos, individualistas, imediatistas, competitivos e, consequência natural, workaholics. Quando, dentro de uma organização, juntam-se estas três gerações, surge um grande conflito, já que o modelo organizacional da maioria das empresas ainda é muito rígido, algo que não condiz com as características da geração Y.

Para o consultor Carlos Alberto Barreiro, é fundamental que seja rediscutido esse modelo. “O modelo de gestão atual não pressupõe a geração Y chegando e ficando, pois é um modelo antigo, de estrutura arcaica. É um modelo baseado no organograma, que é algo que veio da estrutura militar, totalmente ultrapassado nos dias de hoje”, garante. De fato, o que motiva os profissionais da geração Y não é a estabilidade profissional e tampouco o dinheiro. Movidos a desafios, a partir do momento em que não se sentirem motivados, não há bônus e plano de carreira que os segurem na empresa. “As empresas têm grande dificuldade em reter os talentos da geração Y justamente porque ainda não entenderam que as aspirações deles são diferentes das aspirações dos profissionais da X e dos Baby boomers, explica Barreiro. Ele acredita que sai na frente “aqueles que preparam os líderes para conviver com uma nova realidade de gestão, e não com uma nova realidade de pessoas”.

Para Barreiro, o atual modelo organizacional das empresas dificilmente será mudado, levando em conta as características da geração X. “A Geração X é imediatista, com resultado a curto prazo. O que eles vão deixar pra geração Y? Um modelo falido. Precisamos de um modelo que abarque todo mundo, um espírito democrático.” O topo da pirâmide do modelo organizacional da maioria das empresas ainda é composto por Baby boomers e geração X. “Eles não largam o osso”, diz Barreiro.

Para ele, quem vai mudar isso não será a geração Y, e sim a geração I, que está chegando. “Essas crianças de até dez anos não tem preconceitos, já não terão resquícios algum da geração X e vão acontecer quando estiverem no poder.” Se não mudarmos o modelo de fazer negócio, a única solução será esperar o tempo passar. Até surgir uma nova geração e, com ela, novas maneiras de enxergar o mundo.”

(Autor: André Carvalho /Site: CanalRH)

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